Quando o árbitro italiano Roberto Rosseti autoriza o início da partida entre Espanha e Alemanha, 203 emissoras de TV transmitem a final da Eurocopa 2008 para 300 milhoes de pessoas ao redor do mundo. Dentro do Estádio Ernst Happel, em Viena, 40 mil previlegiados acompanham o embate de perto. Nas ruas da capital da Áustria, 100 mil viventes grudam o olho em algum telao. 70 mil somente na Fanzone, a “cidade do torcedor”.
A Alemanha entra melhor no jogo decisivo, mas logo o quadro muda. A maior qualidade técnica espanhola sobressai frente à impressionante disciplina tática germanica. Paciente, a Espanha chega aos poucos. Coloca uma bola na trave e desperdica outras oportunidades. Até que El Nino Fernando Torres, o vendaval que assombrou o futebol ingles na última temportada, ganha na velocidade do defensor alemao e, com uma cutucada de quem sabe o que faz, estremece meia Europa.
A Fanzone é inundada por cantos ibéricos e…e mais nada. Volta a fita!
O dia 29 de junho amanhece ensolarado em Viena. Durante o Campeonato Europeu de Selecoes, todos os jogos disputados aqui ocorreram debaixo de forte chuva, relatam moradores. O cenário para o jogo mais esperado do ano na Europa nao poderia ser melhor. Para a decisao, a Espanha aposta na sua talentosa geracao de jogadores e tenta afastar a fama de “amarelar” em momentos cruciais. Já os alemaes…bem, nao importa se o time tem talento ou nao. Eles sao sempre fortes.
Logo cedo as ruas de Viena sao tomadas por gritos alemaes e espanhóis. Cada grupo vibra à sua maneira. A festa dos espanhóis é, obviamente, alatinada. Alguns homens vestem-se de mulher e soltam beijos provocativos para os alemaes. Jogam bola no meio da rua. Sobem nos pontos de onibus e criam uma atmosfera talvez nunca vivenciada pela clássica Viena. Os germanicos preferem os tradicionais cantos em coro, entoados disciplinadamente, como que ensaiados. Bradam com forca. Ecoa alto.
As bandas de sopro e percussao das duas nacoes tocam juntas e todos entram na brincadeira. Inclusive quem ficou pelo caminho da competicao. Italianos, russos, suecos, croatas e tantos outros bailam felizes na festa alheia. Mulheres e criancas misturam-se com os marmanjos que deliram com a febre da bola. Velhos e jovens riem o riso de uma celebracao engendrada pelos austríacos para o mundo ver. O futebol chega a ser surreal.
É claro que nao poderia faltar o problema cronico: cambistas. Querem 500 euros por um ingresso (pausa para o riso…) – nao há polícia no mundo que controle essa peste. Por outro lado, há os quadros que valem a pena: senegaleses batem seus tambores tribais na porta da Fanzone e a branquelada vai no embalo africano. Do lado de dentro, o Brasil, porque nao pode faltar Brasil onde tem futebol. Uma bateria austríaca (eles no mínimo se esforcaram), comandada por brasileiros, bota todo mundo pra sambar (se é que algum dia, até fim dos tempos, os europeus vao aprender a sambar). E suar. Tudo pronto pro espetáculo da bola.
O ronco da cuíca silencia e entao, no ritmo dos tamborins austríacos, Fernando Torres entra como um tufao pela intermediária alema e o mundo pára pra ver. El Nino deixa o defensor pra trás, ve o goleiro crescendo em sua frente e encosta o bico da chuteira por baixo da pelota. Ela descreve o arco e morre na fundo da rede. Torres corre para o canto e desliza de joelhos para a bandeira de escanteio. O mundo volta a se mover. Soam as castanholas. Aguda o trompete. A Fanzone é tomada pela Fúria.
Dali pra frente, só festa. “Donde están los alemanes, los alemanes donde están?” era o que se podia ouvir alto. No estádio, o rei Juan Carlos abraca a rainha Sofia. O primeiro ministro Zapatero comemora o feito que ele também gostaria de alcancar: unir a Espanha. Na celebracao da bola, todos os espanhóis estao juntos. Esquecem diferencas etnicas e disputas politicas. Ao menos por um momento, nao sao andaluzes, galegos ou bascos. Sao espanhois. No dia 29 de junho de 2008, pelo futebol, cantam lado a lado, sinceros: “Espana es una, y no cincuenta y una! Espana es una, y no cincuenta y una!”. Oooolé!
PS: Tenho fotos, muitas fotos, ilustrando tudo essa lorota aí de cima. Infelizmente, no computador onde estou nao dá pra baixar as imagens. Farei assim que possível.
PS2: Perdao pela falta de acentos, nao consigo me entender com esse teclado. Perdao também por possiveis muitos erros. O minutos estao correndo e nao dá tempo de revisar, pois pago essa porra em Euro.






To imaginando o seu brilhinho nos olhos ao testemunhar esse jogo tão de perto, curumim. Só imagino isso!
Saudade dessa prosa comprida com toda entonação que lhe é peculiar! hahahahah!